Aquela mulher ali, agarrada com um maromba? Minha esposa.
Há dez anos tive um caso com Melina, uma moça que conheci no serviço. Arteira e cheia da juventude que minha esposa não tinha mais. Era um beijo ou um olhar para que eu me sentisse uns dez anos mais jovem.
Ela tinha um jeito louco de fazer amor. Posições que jamais imaginei tampouco fiz com alguém. Melina era uma verdadeira fonte da juventude, e eu estava totalmente viciado naquela fonte.
Foram anos de uma vida dupla e criminosa. Ela usava perucas, bonés. Nossa, a gente aprontava tanto... Como dois adolescentes.
É incrível como um segundo de descuido pode acabar com uma vida, como as coisas são tão independentes e soltas. O fato de acharmos que temos algo é uma ilusão, porque nada no mundo é de ninguém.
Em uma terça qualquer, ao ir tomar um banho, esqueci de avisar Melina que minha esposa estava em casa e, sem nenhum código ou linguagem exclusivamente nossa, ela mandou um "Te amo".
Foi a primeira vez que Melina me disse aquilo, e minha esposa foi a primeira a ler.
De uma forma inusitada, minha esposa disse que eu tenho um bom gosto, porque Melina é uma mulher fantástica.
Minha esposa revelou que também tinha um caso, mas que nunca deixou de me amar, nem que o tesão por mim diminuiu.
Fizemos um acordo exótico, onde poderíamos nos envolver com outras pessoas, poderíamos manter nossos casos a parte, mas continuaríamos com o casamento. Porque casamento e desejo sexual são coisas distintas.
"Não é só porque tem pizza em casa que não posso provar um hot dog ali na esquina, desde que a pizza seja minha refeição predileta, a fundamental, insubstituível."
Minha esposa me surpreendeu. Não acho que irei conhecer outra mulher assim. Ainda me sinto estranho, mas tenho que admitir algo...
Não respondi de forma recíproca a mensagem de Melina, apenas a ofereci algumas horas do fim do dia seguinte. Porque meu amor estava bem do meu lado. Melina era apenas minha fonte da juventude, enquanto minha esposa era minha fonte de vida.
Melina era só uma mulher deliciosa que me fazia gozar como um garoto virgem.
Assim como minha esposa não ama aquele maromba, ou o negrão da semana passada.
Nos chamam de pervertidos, loucos. E sabe o que eu acho? Que somos mesmo. Mas somos felizes assim.
- Juliane França