5 Dias Para Me Encontrar







Sinopse: Uma mulher conta como venceu seu vício em ver vídeos pornográficos e acabou descobrindo algo sobre si mesma que mudou totalmente a sua vida.
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Nossa, como era difícil viver sem uma pessoa para compartilhar minhas vivências, foi naquela época da minha vida em que vi nitidamente, que às vezes ter um amigo é profundamente necessário.
Eu morava com meu pai, o qual encontrava todos as noites no bar da esquina quando voltava do trabalho. Eu sempre odiei isso, aquele cheiro de cachaça era o cheiro de nossa casa. Mal conversávamos, sempre trabalhei e ele sempre estava bêbado.
Durante todos os dias, quis ter alguém para compartilhar sobre meu vício estranho, aquilo estava me destruindo... Mas sempre soube que não era assunto para conversar com qualquer um.
Sabe, meus relacionamentos sempre foram catastróficos, eu nunca consegui fazer com que nem um homem sequer não tivesse sentimentos negativos por minha causa. Eu sempre preferi ver vídeos pornográficos ao fazer sexo, e quando fazia, precisava ver vídeos no ato. Como se o próprio ato sexual ao vivo e na pele não fosse o suficiente, é claro, qualquer homem se sentia impotente comigo.
Isso sempre deixava-os tristes, e para mim, fazer sexo sem ver vídeos era um fardo. Então, para não magoar ambas as partes, decidi não me relacionar com mais ninguém.
Vivia "sozinha", levava uma vida normal, apesar de necessitar rigidamente, todos os dias, ter um orgasmo para dormir. Já cheguei a aumentar a velocidade de minha internet para ver vídeos em melhor resolução.
Em todos os lugares era válido, como um simples filme de ação ou comédia, só que com o diferencial de causar satisfação em meu corpo. Eu estava bem, mesmo que sem ninguém ao meu lado, estava preenchida.
Houve um dia em que minha internet não mais funcionava, fiquei nervosa e liguei no respectivo fornecedor para reclamar. A resposta deles foi dura de aceitar, disseram que em cinco dias a internet seria normalizada... Fiquei nervosa e joguei um monte de prioridades e urgências as quais teria online durante aqueles cinco dias, mas é óbvio que minha prioridade maior eram os vídeos pornográficos. Os dados móveis do celular os fariam travar, o que iria me enfurecer.
Não teve outra, infelizmente não havia como diminuir os dias. Eles não iriam fazer por mim o que não fariam por qualquer outro cliente.
Não sabia o que fazer, estava acostumada diariamente com os vídeos, era como ficar sem um banho por cinco dias e foi, literalmente, ficar sem dormir por cinco dias.
1° Dia
Um vazio em meu corpo se criava, como um buraco raso, pronto para afundar qualquer coisa que nele pisasse, se deixando levar pela aparência rasa. Quando pisei nesse buraco ao tentar dormir, ele me afundou, lá embaixo haviam muitos pesadelos. Lembro de um em especial, que havia todos os meus exs atrás de mim, nus, com rostos furiosos (risos). Consegui dar alguns cochilos, apesar dos pesadelos estranhos e sem nexo.
2° Dia
Me senti forte por no dia anterior, mesmo não sendo por resistência minha, não ter assistido nenhum vídeo. Ignorei as olheiras e peguei o carro para trabalhar, mas na segunda quadra depois de casa, 'pesquei'. Dei meia volta e decidi ir de ônibus, onde pude cochilar diversas vezes como uma pessoa febril.
3° Dia
Meu rosto já não era o mesmo. Estive com aspecto de acabada.
Antes de ir trabalhar, decidi me tocar. Confesso que até consegui ter um orgasmo, mas foi o pior orgasmo da minha vida. Na verdade, não dá para chamar aquilo de orgasmo, não senti quase nada.
Tive vergonha de mim, acabei me deixando vencer por lágrimas no trabalho e quando Sandra me acalmou na mesa da recepção, me envergonhei ainda mais. Ela me olhou de um jeito que foi impossível descobrir se era cinismo ou malícia.
4° Dia
O entusiasmo de ir ao trabalho era um pouco maior apesar do estresse psicológico ter tomado conta de meu corpo. Novamente me toquei antes de sair e nem pareceu que meus dedos estavam dentro de mim. Tive que domar meu desespero para sair de casa.
Após o almoço no trabalho, Sandra me chamou para pegar alguns livros num quartinho e quando chegamos, ela me colocou contra a parede e me deu um beijo delicioso... Onde pude sentir um pouco de energia positiva. Sandra era depravada e quis mais que o beijo, só que não permiti... Não no trabalho.
5° Dia
Era minha folga e meu pai como sempre, iria passar o dia fora. Convidei então Sandra para minha casa. Marcamos um ponto de encontro e busquei-a. Naquele dia nem comi direito, estava ocupada demais me descobrindo. Fiz amor loucamente com uma mulher, foi sexo casual onde eu nem sabia o que era ser ativa ou passiva. Estive radiante, e obtive um bom orgasmo sem precisar ver vídeos. Era incontida a minha alegria, parecia um adolescente em pleno primeiro beijo.
Não lembro se ela gostou, mas parecia satisfeita.
Sandra não tinha uma reputação tão boa na empresa, todos falavam mal dela. Ela era bissexual e não amava ninguém ao mesmo tempo que amava todos, sério! Foram palavras que ela mesmo dizia.
Ela sempre teve um ótimo senso de humor, ficamos outras vezes após aquela. Sandra foi a mulher que fez eu descobrir qual era o meu problema.
Passado os dias, liguei no fornecedor para cancelar a Internet. Estava decidida a ler livros impressos para estudar e fazer os vídeos serem excluídos da minha vida. E assim foram, sem fazer falta alguma. Com alguns meses, dentre algumas meninas que fiquei, conheci a mulher da minha vida.
Hoje, contando essa história, ao lado de minha Valentina (ela é ciumenta e não gosta que eu fale da Sandra), lhe digo que nem sempre o problema está nos outros, nem sempre o problema está você... Mas o que somos, isso sim, às vezes é um problema por demorar para ser descoberto.
Às vezes, o que nos faz bem não está bem esclarecido em nossas mentes, e pode até estar, mas passamos a ignorar, pelo fato de o que gostamos não ser o que a maioria faz ou gosta e aceita...
Ah, independente do preconceito, o que você é sempre será prioridade para que sua vida seja uma vida de qualidade e não uma mera existência.
E assim descobri meu corpo e me aliviei do medo e da certeza errada de ter um distúrbio louco. O problema não eram os garotos, é que eu nunca gostei de nada dentro de mim.
Obs.: Texto Fictício.
- Juliane França.

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